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CHINÊS E CHINESINHO

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Lucio Humberto SarettaPor Lúcio Saretta *   Email, em 29 de novembro de 2008
Quando o assunto é Gauchão, nosso pensamento logo viaja em torno das conquistas dos dois clubes da capital. Na minha opinião, trata-se de uma hegemonia nociva para o futebol, tendo em vista a rica história que envolve os times do interior. Infelizmente, hoje a situação financeira é precária em rincões outrora aureolados com glórias e títulos. Berço do futebol gaúcho, a cidade de Rio Grande, por exemplo, foi protagonista no certame regional, sobretudo nos anos 30 do século passado. Embora a dupla Gre-Nal não tenha participado dos campeonatos de 37 a 39, é inegável o gabarito de equipes como o Riograndense, que nesses três anos esteve presente em todas as finais.

Em 37, o título foi perdido para o Grêmio Santanense e, no ano seguinte, seria decidido contra o Guarany de Bagé. Durante esse embate memorável, o Riograndense era treinado pelo carioca Gentil Cardoso, sempre ávido em aplicar novas táticas aprendidas durante suas viagens por campos ingleses. Nas fileiras do grêmio portuário, sobressaía-se um trio de ataque infernal: Oscar, Carruíra e Chinês. Este último era um verdadeiro tormento às defesas contrárias. A decisão foi realizada em Pelotas, atraindo a atenção das turbas municipais amantes do esporte. O primeiro gol surge em uma cobrança de escanteio bem aproveitada por Chinês. Mas o Guarany era um time igualmente forte. Após uma vacilada do goleiro Brandão, Medina empata, levando o jogo para a prorrogação. O caneco, então, foi parar na sala de troféus do clube bageense, graças a um petardo desferido pelo uruguaio Rubilar. Chinês e seus companheiros teriam que esperar mais um pouco na sua busca pelo tão sonhado galardão. Que seria alcançado na temporada seguinte contra o Grêmio Santanense, vingando a derrota de dois anos antes e marcando o fim de uma era, em que o interior do Estado sorriu com títulos e belas jornadas de seus times. Feliz da vida, Chinês comemorou com seu filho Sidnei no colo, sem imaginar que o garoto de quatro anos seguiria as pegadas do pai, levando sua arte a gramados distantes.

Foi assim que, durante o ano de 55, um jovem ponteiro esquerdo oriundo de Rio Grande debutou com a camisa escarlate do Internacional de Porto Alegre. Graças a seu famoso parentesco, o garoto recebeu a alcunha de Chinesinho. Ele atuaria ao lado de monstros sagrados, como os defensores Florindo, Oreco e Odorico, pilares daquela segunda versão do rolo compressor colorado. Era uma máquina bem azeitada pelo técnico e maestro Teté, tudo funcionava com a precisão de um relógio. E Chinesinho seria uma peça chave na equipe, com toques de categoria e luxos imprevisíveis, nunca destoando de seus colegas condutores da linha de ataque, Larry e Bodinho. A honra de defender a seleção brasileira veio no Pan-Americano de futebol no México, alternando com Raul Klein na ponta esquerda. Nessa oportunidade, em que a nossa seleção foi representada exclusivamente por atletas gaúchos, Chinesinho desfilou sua classe sem precedentes. Na última partida contra a sempre perigosa Argentina do técnico Stabile, o ponteiro deixou sua marca, castigando o bom goleiro Rogelio “el flaco” Dominguez, glória do Racing de Avellaneda. O empate servia para o Brasil ser campeão e nossos atletas foram recebidos com festa no Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Era evidente que algum clube do centro do país levaria Chinesinho. A partir de 58 coube ao Palmeiras o privilégio de contar com a galhardia do menino de Rio Grande. Virando mais uma página de sua vida, Chinesinho passa a atuar como meia, sempre sob o olhar atento do técnico Osvaldo Brandão. Durante um clássico contra o Corinthians naquele ano, sua classe habitual aparece mais uma vez, realizando belas tabelas com Ênio Andrade. O clube paulista contava com vários ases, como Djalma Santos, Zequinha e o lendário ponteiro direito Julinho, todos jogadores de seleção brasileira.

A essas alturas o velho Chinês já podia orgulhar-se do filho. Mas novos horizontes surgiram, e Chinesinho foi jogar na Itália. Seu posto no meio campo palmeirense seria ocupado por um jovem que hoje é o maior ídolo do clube, Ademir Da Guia. Na Itália, Chinesinho foi campeão em 67 com a Juventus, coroando sua carreira com um êxito derradeiro. Agora um cidadão do mundo, ele continuava a escrever a bela história começada por seu pai, quando o bravo Chinês vestia a camisa do Riograndense nos campos embarrados do interior gaúcho.
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* Lúcio Humberto Saretta é formado em Publicidade e Propaganda, e autor de vários livros.
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