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11 de maio de 2009      Por Artur Salles *  Mais artigos
 

Válvula de Escape

torcidaPor irresponsabilidade da mídia esportiva, descaso das autoridades e condições sócio-econômicas graves que caracterizam o Brasil, o futebol se tornou há muito tempo uma válvula de escape das frustrações, alegrias e das mais variadas emoções vividas pelos cidadãos torcedores.

Com todos esses atores futebolísticos trabalhando de forma completamente egoísta pensando unicamente em seu benefício próprio, o produto futebol se tornou um entretenimento extremamente perigoso; se é que ainda podemos chamá-lo dessa forma.
 

Primeiramente, analisemos o papel da mídia, a grande responsável pela ascensão do futebol de entretenimento para razão da existência dos torcedores. Não estou indo de encontro ao objetivo básico de toda corporação em um contexto capitalista, que é o lucro sempre maior, mas sim questionando a forma utilizada pelas empresas midiáticas para conquistar o ibope.

Programas intermináveis, rodas de debate discutindo o nada e o multiplicando em fofocas a serem digeridas pelos telespectadores, bajulação de jogadores - alguns de caráter questionáveis -, criação de um clima propenso a exageros e explosões de rivalidades e, especialmente, uma postura acéfala quando ocorrem fatos negativos de agressões entre atletas, briga entre torcida, dentre outras coisas. Tudo isso desestimula o torcedor a raciocinar criticamente e o faz agir impulsivamente apenas por paixão.
 
Então, reflitamos sobre as autoridades brasileiras no que concerne ao futebol. A postura das figuras do executivo, legislativo e judiciário, sem exceções, se ajusta perfeitamente ao pensamento corroborado por muitos que só agimos quando o pior já aconteceu.

Não adianta a obviedade e a probabilidade do ato acontecer, os governantes só procuram uma solução quando a tragédia já aconteceu e a repercussão preencheu os noticiários. E essa cultura do apostar para ver, às vésperas de uma Copa do Mundo em 2014 e em um país fortemente dominado pelo futebol com o campeonato nacional há apenas alguns dias de começar é um risco altíssimo que todos os pais de família correm ao levar seus filhos aos estádios ou simplesmente um perigo elevado que meros cidadãos que trafegam nas proximidades das praças esportivas correm em dias de jogos. a solução parece que só virá em 2014.
 
Por fim, não podemos esquecer das condições sócio-econômicas de uma população extremamente pobre e sem perspectivas, que projeta no futebol, na possibilidade de seu time ser campeão ou de ganhar um clássico contra os maiores rivais um momento de felicidade, de fortes alegrias no qual as agruras diárias são esquecidas por uma explosão de adrelina diretamente ligado ao resultado de uma partida de futebol.

Sim, o componente psicológico moldado por circunstâncias de adversidades profundas é o fator determinante de toda a violência vista nos estádios e em suas proximidades - não esquecendo obviamente os outros dois fatores mencionados anteriormente que são a obsessividade da mídia e a incompetência das autoridades no que concerne à segurança, infra-estrutura, dentre outras coisas. Estes três aspectos somados causaram muitos incidentes no passado e, certamente, promoverão outros 'espetáculos' tristes.

 
* Artur Salles Lisboa de Oliveira      Mais artigos
Coordenador geral da Revista Eletrônica Raciocínio Crítico

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