RIVAIS PARA SEMPRE
(Argentina x Inglaterra)


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Miguel Angel RugiloTudo começou no dia 9 de maio de 1951. Nessa data, enfrentaram-se pela primeira vez as seleções da Argentina e Inglaterra. Talvez esse seja o clássico mais emblemático entre países sul-americanos e europeus, aquele que possui uma rivalidade mais marcante. Pois naquele dia, em Wembley, a história começou a ser escrita em grande estilo. O placar apontava vantagem mínima para os argentinos, gol de Boyé, um ponteiro direito muito querido pelo torcedor de seu país. Seu apelido era “El Atómico”, pela potência de seus chutes e cabeçadas , tendo brilhado primeiro no Boca e depois no Racing. Mas o personagem que passou para a galeria de heróis foi Miguel Angel Rugilo, goleiro do Vélez. De perfil arrojado e voador, Rugilo passou a defender toda e qualquer investida do “english team”, recebendo o apelido de “León de Wembley”. Ainda que os ingleses tenham feito dois gols e virado a partida, o primeiro capítulo de uma saga já estava registrado.

Passam-se dois anos, e uma nova partida, dessa vez em solo sul-americano, acontece. O palco seria o estádio Monumental em Buenos Aires. As arquibancadas para o evento estavam lotadas, ainda que o estádio não estivesse totalmente concluído. O técnico argentino era Guillermo “El Infiltrador” Stabile, que fora artilheiro da Copa de 30 no Uruguai. Stabile escalou para a partida o ataque do Independiente e quem brilhou na vitória por 3 x 1 foi Ernesto Grillo, autor de um golaço. Após driblar quatro defensores contrários, Grillo desfere um chute improvável, sem ângulo e que, desde então, tornou-se uma espécie de ícone, para os argentinos é claro, do confronto em si.

Próxima parada Rancágua, Chile. O estádio Carlos Dittborn hospeda mais uma partida válida pela Copa do Mundo de 1962. Dessa vez, porém, o time inglês não toma conhecimento de nossos vizinhos e marca logo três vezes com Flowers, Bobby Charlton e Greaves. Inútil o gol de Sanfilippo.

Estádio Wembley em 1966Londres em 66 era uma cidade psicodélica. As meninas de mini-saia deliravam ao som dos Beatles. Mas, naquele mês de julho, o que estava em jogo era mais uma taça Jules Rimet. E com um estádio de Wembley preenchido por uma multidão, realizou-se um dos capítulos mais dramáticos e perturbadores da nossa lista. Como esquecer a expulsão de Rattín, justo quando a Argentina finalmente tinha montado um time competitivo para disputar uma Copa? O técnico Juan Carlos Lorenzo tinha no nosso bom Antonio Ubaldo uma figura chave, um líder. Além disso, Perfumo na zaga, Artime e o pícaro Oscar Más no ataque. Tudo em vão. Jogada ensaiada da dupla de ataque do West Ham: Peters cruza da esquerda e Hurst vence Roma com uma cabeçada perfeita. A Argentina caiu de pé. Após o jogo, a festa inglesa foi típica. Nas palavras do meio campista Stiles: “We all got well and truly drunk”.

Os anos passam. Nuvens negras pairam sobre o céu de Mar Del Plata em 82. O general Galtieri visita a concentração da seleção de César Luis Menotti. A Argentina finalmente era campeã e os pupilos de “El Flaco” tentariam o bi na Espanha a todo custo. O povo vivia um momento de dificuldades e o futebol sempre era uma esperança, um bálsamo contra a pobreza cada vez maior. A tensão no país era evidente, mas mesmo assim o general deseja boa sorte ao time. Quando os jogadores recebem a notícia de que a Guerra das Malvinas eclodira, muitos ficaram receosos em partir. Um submarino inglês afunda o cruzador General Belgrano, matando 300 marinheiros. Vergonha. A Argentina é eliminada da Copa, mesmo com a jovem promessa Maradona, enquanto as tropas de Margareth Thatcher acabam com as pretensões de Galtieri como quem tira um doce de uma criança. Curiosa a situação de Ardiles. “El Pìton”, eixo central da equipe argentina, na época defendia o Tottenham. Em partida contra o Leicester, toda vez que Ardiles pegava na bola a torcida gritava “Inglaterra, Inglaterra”, ao que a torcida do Tottenham respondia “Argentina, Argentina”. O futebol é realmente incrível...

A vingança não tardaria. Na Copa do México em 86 Maradona faz o famoso gol com a mão, além de desmoralizar a seleção do técnico Bobby Robson com uma arrancada desde o campo de defesa, antes de sutilmente vencer o pobre goleiro Shilton. Mas a história estava longe de terminar. Em 98 deu Argentina, nos pênaltis na partida de Saint Ettiene pela Copa da França. Quatro anos depois, David Beckham seria o verdugo britânico no Japão. Quem sabe qual será o resultado do próximo embate?


(*) É autor de vários livros. Entre eles "Alicate Contra Diamante", onde Craques do futebol de ontem e de hoje são retratados de maneira envolvente, levando o leitor a uma viagem pelo tempo. Confira o Blog Lúcio Saretta.
Página adicionada em 17 de setembro de 2008.

 

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