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DONA FIFA E SEUS ARROUBOS
 
Publicado em 04 de abril de 2010            Por Luiz Vetere *
 
A FIFA não gosta de tecnologia. E nunca escondeu isso de ninguém. O chip na bola é caro demais e de difícil implantação no mundo todo. A utilização da televisão em lances duvidosos tiraria do árbitro sua autoridade e do futebol seu charme e seu glamour. Para cada benfeitoria proposta, um contra-argumento. Assim é a Dona FIFA.

A novidade agora é que a FIFA não gosta de disciplina. De uma hora para outra resolveu que disciplina não é com ela. Pois não há outra maneira de entender a decisão de zerar os cartões amarelos para as semifinais da Copa do Mundo da África do Sul. Que melhoria tal medida traz para o espetáculo? Quem se beneficia desta canetada? Pressionada pelos interesses de quem a FIFA adotou essa postura?
 
Acreditar que é para preservar os jogadores na sua totalidade, como foi divulgado, para que não haja desfalques na grande final é conversa para boi dormir. Protege sim, os botinudos de plantão. Que só ficarão de fora em caso de cartão vermelho. Aquelas faltas repetitivas, aquele rodízio de faltas, aquele puxão na camisa, aquela proposital mão na bola e outros quitutes estarão liberados para que os brucutus não faltem à festa do dia 11 de julho.

Não tem problema, não é mesmo? Que uma grande estrela como um Kaká, um Rooney, um Xavi ou um Messi fique de fora por contusão não importa. Afinal, você não se incomoda quando vai a um show e sente a falta do artista principal, ou se incomoda?

Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto. Vá ao cinema e deixe de assistir ou ouvir uma cena no telão. Vá ao teatro e saia da peça sem que um dos atos tenham sido encenados no palco. Na qualidade de espectador, que atitude você, caro leitor, tomaria? Evidentemente que você pediria seu dinheiro de volta. Se não chegar a tanto, no mínimo reclamaria com a produção, a gerência, os responsáveis.
 
Porque no futebol é diferente? Além de espectador, aquele que comparece ao teatro, ao cinema, ao circo ou ao estádio é o público consumidor daquele evento. Portanto, têm o direito de presenciá-lo em sua totalidade. Se o ingresso - de R$ 5 ou R$ 100 - é pago na sua integralidade, o conteúdo deve ser oferecido na mesma proporção.

Se no teatro ou no cinema fica mais fácil o acesso aos produtores do espetáculo, no futebol ele (o acesso), praticamente inexiste, em vista de sua grandeza. Não, não estou comparando. Seria ridículo propor que um lugar que comporta 15, 20, 50 mil pessoas tivesse o mesmo procedimento de outros que absorvem públicos bem menores, de 200 a 500 espectadores.

Qual a solução? Simples, mas falta vontade, política inclusive, de se resolver a questão. Quando o árbitro observa os acréscimos do jogo de futebol, seja no primeiro ou no segundo tempo, ele está repondo o tempo perdido, aquele mesmo tempo que você torcedor perdeu, tendo pago o ingresso para assistir 90 minutos de bola rolando.

Porém, já se tornou praxe dos árbitros, sobretudo no Brasil, padronizarem em 1 minuto no primeiro e 3 minutos no segundo tempo, o período "dos descontos". Poucos são os que têm coragem de agregar maior tempo ao jogo. E quando o fazem, ainda são tratados como exagerados. Já virou tradição nacional.

Assim como no basquete, em que existe a figura do cronometrista, o futebol poderia criar esta função. Ao 4º árbitro, responsável pelas alterações, acréscimos, áreas técnicas e outros frufrus, caberia a responsabilidade. Simples, como no basquete. Só que de uma forma diferente. Bola parada - por qualquer motivo - seria sinônimo de cronômetro acionado. Ao final dos 45 minutos, o próprio árbitro assistente levantaria a placa, cabendo ao árbitro principal cumprir os minutos observados.

A bola ficou parada por um tempo total de 3 minutos? Que se cumpra! Foram 8? Da mesma forma! E se forem 15 minutos? Que o primeiro ou o segundo tempo tenha 1 hora. Mas isso é apenas uma utopia. Como escrevi mais acima, além de faltar vontade, seria muito moderno para Dona FIFA.

O dia em que - mesmo sem essa regra - um árbitro der mais de 5 minutos de acréscimo em cada tempo de jogo, sai execrado do estádio.
 
 
* Luiz Fernando Vetere Alves é Graduado em Direito pelo IMB; Pós-Graduando em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte pela FACHA

Blog: Futebronca.blogspot.com            Twitter: Twitter.com/LFVetere

Email: fernandovetere@globo.com
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