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Incríveis visitas de outrora
 
02 de outubro de 2008      Por Lúcio Saretta *   Email Mais artigos
 
Existem certas passagens na vida de grandes artistas que são uma espécie de lado B de um disco de vinil. Por exemplo, a vinda de Noel Rosa ao Rio Grande do Sul é um fato pouco abordado quando se fala do poeta e compositor de Vila Isabel. Foi no ano de 1932 que Noel aceitou o convite de Francisco Alves para integrar o conjunto “Ases do Samba”, juntamente com Mario Reis, Pery Cunha e o pianista Nonô, tio de Cauby Peixoto e Cyro Monteiro. Porto Alegre recebeu a trupe com grande expectativa, afinal seria a nata do samba a tocar no Teatro Imperial. Outras cidades menores também foram contempladas com a maestria de Noel e seus companheiros. São Leopoldo, Pelotas, Rio Grande e Caxias do Sul viveram um momento único, sublime e inédito.
Torino
A visita do grande Torino do pós-guerra ao Brasil foi outro acontecimento desses que não se tem notícia todos os dias. O Pacaembu engalanou-se para hospedar a famosa equipe italiana, que vinha assombrando o mundo com o seu futebol, preenchendo os sonhos da garotada brasileira. Sim, o grande Torino veio desfilar a sua arte e o seu carisma por aqui. Naquele ano de 48, Torino era a Detroit da Itália, a terra do automóvel, da Fiat. E também do vermute, tendo o conde Enrico Cinzano presidido o clube grená na década de vinte. O apelo popular do Torino era muito forte, contrastando com a aura aristocrática da rival Juventus. No Brasil, os jogadores foram paparicados de todas as maneiras, recebendo convites para entrevistas e festas.

Dentro de campo a coisa foi um pouco diferente. Apesar do caráter amistoso dos jogos, todos queriam tirar uma lasquinha daquele esquadrão tão célebre e poderoso. O primeiro a passar pelo teste foi o Palmeiras. Uma das principais figuras do escrete paulista era o goleiro Oberdan Cattani, um ex caminhoneiro da cidade de Sorocaba que tinha o apelido de “A Muralha Verde”. O pai de Oberdan era um oriundo da Toscana, fato que contribuiu para sua identificação com o clube. Outro craque e presença certa no time era Waldemar Fiúme, um jogador polivalente lembrado até hoje como uma das bandeiras palmeirenses de todos os tempos. Faz pensar o que deve ter sido o duelo entre Waldemar e Valentino Mazzola, o grande condutor do Torino. De qualquer maneira os visitantes abrem o placar através de Gabetto, atacante narigudo e habituado a vazar as redes contrárias. O Palmeiras empata em seguida, mostrando que o Torino não era imbatível. Na verdade, o time dirigido pelo técnico Mario Sperone estava cansado pela viagem e também com a acolhida exageradamente festiva. A derrota veio no segundo jogo, contra o Corinthians. A imprensa nacional não titubeou em descer o malho nos ilustres visitantes pelo pífio futebol apresentado.

Sempre no Pacaembu, o próximo adversário foi a Portuguesa. E desta vez o Torino não decepcionou, infligindo uma goleada de 4 a 1 no time brasileiro. O último jogo da excursão foi contra o São Paulo campeão paulista daquele ano e que exibia a mítica linha média Rui, Bauer e Noronha. No ataque o veterano Leônidas da Silva representava uma ameaça constante, fazendo a alegria do técnico Vicente Feola com seus gols e jogadas mirabolantes. Contra os peninsulares ele teria de superar um dos destaques do elenco, o famoso goleiro Valerio Bacigalupo. O embate entre os dois foi épico. Bacigalupo chegou ao Torino em 45, o último ano da Segunda Guerra. Proveniente do Genoa, ele não dispensava a boina característica usada por muitos goleiros na época. Após um lance fortuito, ele e Leônidas trocam “gentilezas” e acabam expulsos. O placar da despedida foi um empate em dois gols.

Os anos passaram e outro time dos sonhos visitou o Brasil para júbilo dos amantes do futebol. O Honved de Puskas e companhia esteve aqui em 1957 apresentando-se no Maracanã e no Pacaembu. Apesar de estar um pouco acima de seu peso normal, o “Major Galopante” foi capaz de entusiasmar as platéias que assistiram aos jogos. Botafogo e Flamengo foram os adversários daquela bela equipe, base da seleção húngara que havia deslumbrado o mundo na Copa de 54. Além de Puskas, craques como Czibor, Kocsis e Hidegkuti faziam do Honved um timaço. Foram jogos memoráveis. O Flamengo tinha Dida, Evaristo e Moacir. O Botafogo Didi, Garrincha e Paulo Valentim. E quem viu com certeza não esqueceu desse momento tão bonito e singular do nosso futebol.
* Lúcio Humberto Saretta é escritor e mora em Caxias do Sul/RS   -   fale com o autor
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