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Futebol (Quase) Arte
 
Publicado em 16 de julho de 2010            Por Luiz Vetere *
 
O título mundial da Espanha resgata aquele futebol quase arte que os mais céticos, entre os quais não me incluo, juravam nunca mais esperar ver. De uma certa forma, e aí explica-se o quase, os espanhóis fazem ressurgir das cinzas um modo de jogar tido como ultrapassado e improvável de ser colocado em prática no chamado "futebol moderno".
 
O quase fica por conta da irritante mania da Seleção Espanhola de querer fazer o gol quase que debaixo das traves. Por pouco não perdeu a estrela que hoje abrilhanta sua camisa devido aos demasiados penteios e despenteios com que trata a bola. Ironia do destino, o gol foi marcado em um belo chute de Iniesta, armador técnico e classico, cujo único pecado talvez seja concluir de menos, dando preferência ao passe para um companheiro melhor colocado.

No entanto, se Iniesta define tão pouco mas com tanta precisão, que continue alimentando com o penúltimo passe os homens de ataque e o futebol mundial, tão carente de jogadores como ele e Xavi. Ao sabor do craque, a bola saberá o momento certo de se oferecer novamente para a conclusão final.

Finalize mais, Espanha! Chute de longe, de fora da área! E estará prestando um grande serviço à beleza do futebol.
 
FICOU DEVENDO

A verdade é que a final da Copa foi jogada ao estilo sul americano. Jogo pesado, pegado e algumas vezes desleal. Por isso, talvez tenha faltado um árbitro da América do Sul na decisão. O tão elogiado e eficiente inglês Howard Webb deixou a desejar. Distribuir cartões amarelos a torto e a direito, ainda que justos e necessários, não foi suficiente. Algumas transmissões ainda justificaram a inexistência de cartões vermelhos como uma preocupação da autoridade máxima da partida em preservar o espetáculo.

Pois preservar o espetáculo, na minha terra, é preservar o craque. E a pancada comeu solta na final mais violenta da história dos mundiais. O sangue latino de um juiz argentino, uruguaio ou até mesmo brasileiro varreria do campo botinudos de plantão logo nos primeiros vinte minutos, o que - aí sim! - preservaria o jogo e contribuiria para o melhor andamento da partida.

Pelo menos dois jogadores holandeses mereciam a expulsão: caberiam um cartão vermelho para De Jong pelo golpe de karatê e mais um amarelo para Robben, por retardar o reinício do jogo após um impedimento. Iniesta e Sneijder também poderiam ter ido para o chuveiro mais cedo. Além da parte disciplinar, Webb pecou tecnicamente. No lance em que de Jong mostrou seus dotes marciais, a Espanha levava vantagem clamorosa rumo ao gol holandes.

Em suma, a arbitragem ficou devendo com uma atuação abaixo da esperada.
 
O FRANGO INDEFENSÁVEL

Atuações irregulares dentro de campo, declarações destemperadas fora dele e orgias noite adentro fazem parte do passado da carreira e da vida do goleiro Bruno. Sua nova rotina comportará apenas regras, tribunais, algemas e cimento.

Elevado ao status de ídolo da maior torcida nacional, o menino pobre do interior de Minas Gerais vê a vida lhe escapar por entre os dedos tal qual a bola por entre as pernas, no maior e mais escandaloso frango de sua vida.

Entretanto, paradoxalmente a tantos outros que levou e levaria na carreira, o frango da vez é definitivo. Mais que isso, é indefensável. Os indícios, as investigações e os fatos mostram, a cada dia, que o entitulado "melhor goleiro do Brasil" pela nação rubro-negra, não passa de um ser humano desastroso, desequilibrado e despreparado para lidar com a vida.

Bruno não manchou apenas a imagem do Flamengo ou do futebol brasileiro. Bruno envergonhou um país inteiro.

A LISTA E A LISTA

Dunga fez duas convocações para a Copa da África do Sul. Embora tenha errado em alguns nomes entre os 23 alistados, acertou em cheio em sua lista de adjetivos: empáfia, prepotência, arrogância e mau humor. Como cereja do bolo, seu pseudo-auxiliar e escudeiro Jorginho.

Sejamos críticos na dose correta! Felipão, o nome da vez, goza da simpatia popular devido ao penta. Tivesse o gaúcho retornado sem o título e estaria execrado até hoje pela não convocação de Romário. Entretanto, está a anos-luz de Dunga quando o assunto é treinador, vide seus trabalhos out-Seleção.

O que a torcida brasileira exige e merece é uma Seleção digna. Nem farrista, nem enclausurada. Nem acima do peso, nem abaixo da qualidade técnica. O treinador não tem que ser nenhum "bonzinho" com a mídia. Deve ser educado quando preciso. Reservado quando necessário.

Mas ao respeitar, dialogar e conviver em bom tom a imprensa como um todo, estára estendendo tais predicados à torcida, a sua torcida. Não será nenhum favor. Nem nenhuma obrigação. Será apenas como realmente tem que ser.
 
 
* Luiz Fernando Vetere Alves é Graduado em Direito pelo IMB; Pós-Graduando em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte pela FACHA

Blog: Futebronca.blogspot.com            Twitter: Twitter.com/LFVetere

Email: fernandovetere@globo.com
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