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O Torino nunca mais foi o mesmo
 
10 de outubro de 2008      Por Lúcio Saretta *   Email Mais artigos
 
Alô, gente! Hoje o meu assunto é o futebol italiano. Mais precisamente, o Torino da década de quarenta. Uma verdadeira máquina, que venceu cinco scudettos consecutivos de 43 a 49 (em 44 e 45 o campeonato foi suspenso devido à Segunda Guerra Mundial). Nesse time montado pelo presidente, e às vezes técnico, Ferruccio Novo, despontava a figura de Valentino Mazzola, que era mais ou menos o que o Totti é hoje para a Roma. “Capitan Mazzola” foi trazido do Venezia juntamente com Ezio Loik (os dois eram meias e ficaram conhecidos como i gemelli veneziani). Da odiada rival Juventus foi trazido Guglielmo Gabetto, centroavante matador que usava o cabelo cheio de brilhantina, à la Heleno de Freitas, porém sem ser louco. Os pontas eram Menti e Ferraris II. Em 43 o surpreendente Livorno ficou em segundo lugar.

Mario Rigamonti, que hoje empresta seu nome ao estádio do Brescia, clube que o revelou, gostava de motos e vivia azeitando o motor da sua Benelli. Era o pilar central da linha média, formada ainda por Grezar e Eusebio “Zampa di Velluto” Castigliano. O trio final era Bacigalupo, Maroso e Ballarin. Reza a lenda que quando o time estava mal ou começava perdendo alguma partida, bastava que Mazzola arregaçasse as mangas. Era uma espécie de sinal. O time se transformava e começava o baile. Esse esquadrão chegou a ceder dez jogadores para a azzurra. Era o ano de 47, o auge. O único não filiado ao Torino foi o goleiro Sentimenti IV, em amistoso contra a Hungria.
Valenino Mazzola

Ezio Loik

Guglielmo Gambetto
 
destroços do avião do Torino4 de maio de 1949. Um temporal desabava sobre Torino. Relâmpagos iluminavam a escuridão quando, ao tentar pousar na cidade, um avião bate na basílica de Superga, espatifando-se e incendiando-se. Na busca por sobreviventes, os moradores perguntavam-se quem estaria a bordo. De onde viriam? De repente alguém avista em meio aos destroços uma camisa grená com o scudetto bordado. Desgraça! Era a delegação do Torino, que havia participado de um amistoso em Lisboa e voltava para casa. Ninguém sobreviveu. A Itália parou para reverenciar os seus heróis. Era o fim de uma era.

A partir daí o Torino nunca mais foi o mesmo. Até venceu o campeonato daquele ano utilizando jogadores das categorias de base. Mas, já no ano seguinte, a Juventus retomaria a hegemonia na competição. Hegemonia que permanece até hoje. Os anos vão passando e a torcida granata vê com pesar a equipe lutando para não retroceder, ou no máximo tendo um papel secundário no torneio.

A vida continua, até que chega o ano de 1976. O mundo já era outro. E o Torino volta a brilhar. Tal qual uma fênix, ressurge. Ao empatar em casa com o Cesena em 1 a 1, ao mesmo tempo em que a “Juve” era derrotada em Perugia, o Torino é novamente campeão! Pára-quedistas caem sobre o gramado com as cores do scudetto: verde, vermelho e branco. A festa é total. Porém, faltava saldar a dívida com aqueles que haviam começado essa bonita história. Na noite seguinte uma multidão, portando tochas e corbelhas de flores, sobe a colina até a basílica onde “Capitan Mazzola” e seus companheiros haviam perecido. São cinco quilômetros transcorridos a pé, por jovens e velhos, aqueles que eram jovens na época da tragédia. Milhares de almas prestando uma bonita homenagem e proporcionando um momento inesquecível para quem ama o esporte e os ídolos que ele produz.
* Lúcio Humberto Saretta é escritor e mora em Caxias do Sul/RS   -   fale com o autor
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