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05 de novembro de 2008      Por Lúcio Saretta *   Email Mais artigos
 

Centuriões da Pelota

Olá pessoas. Na história do campeonato italiano, o time da Roma logrou o troféu máximo em três ocasiões. Embora seja um grande clube situado na capital daquele país, o seu cartel é irrisório se comparado aos de Juventus e Milan, por exemplo. Já disse alguém que para a Juventus vencer três “scudettos”, basta merecer um. Para a Roma, porém, é preciso merecer três para ganhar um. Obviamente a frase foi feita por um torcedor romano, mas a verdade não está muito distante. A desigualdade entre os títulos conquistados é impressionante, pende largamente em favor do trio Juve-Milan-Inter. Por isso hoje eu gostaria de analisar os triunfos da Roma.

AS RomaA aurora desta simpática agremiação data do ano de 1927, quando uma fusão entre os times da capital, Fortitudo, Alba Audace e Roman Football Club gera a AS Roma. A partir de então, as atividades atléticas do clube correriam sempre vigorosas como as águas do rio Tevere. O primeiro “scudetto” chega quando o continente estava sob a sombra negra da II Guerra Mundial, em 1942. Nessa temporada, os inimigos ferozes pelo caneco foram Torino e Venezia. A Roma mandava seus jogos no lendário campo de Testaccio, uma espécie de alçapão para os visitantes. Destaquemos algumas figuras marcantes daquele time. Sob os três paus a estampa imponente de Guido Masetti, goleiro de defesas arrojadas e estilo voador. Seus colegas de zaga eram Brunella e Acerbi. A linha média contava com Donati, Mornese e Bonomi e o ataque começava com o albanês Krieziu, Luigi Di Pasquale, e tinha além do capitão Amedeo Amadei, o meia Coscia e o argentino Pantó. Uma polêmica sobre esse título é a de que ele teria sido obtido graças a um decreto de Mussolini. Os romanistas defendem-se alegando ter sido o “Duce” torcedor da Lazio. De qualquer maneira os festejos foram tímidos em razão da guerra. E a espera por outra conquista seria longa e sofrida como um calvário.

Até que em 1980 chega a Roma o meio campista Paulo Roberto Falcão, dono de toques refinados no trato com a pelota. A torcida sonhou com dias melhores. O presidente Dino Viola, um visionário que conseguiu reequilibrar as finanças da Roma, foi o grande mentor daquele time que venceria o segundo “scudetto” em 83. E no banco de reservas o técnico Nils Liedholm, ou “Il barone”, mítico ex-atacante sueco, dava as cartas. Tancredi, Nela e Vierchowod; Maldera, Ancelotti e Falcão; Bruno Conti, Prohaska, Pruzzo, Di Bartolomei e Iorio. Estes foram os onze heróis a erguer a taça. Interessante o paradoxo entre Falcão e Bruno Conti. Enquanto que “o oitavo rei de Roma”, apresentava um futebol de estilo europeu, elegante e apolíneo, Bruno Conti era um ponta direita “à brasileira”, dono de uma picardia rara entre jogadores do velho mundo. O artilheiro Roberto Pruzzo, por sua vez, era uma máquina de fazer gols e, até o surgimento de Totti, maior goleador histórico da Roma. E Agostino Di Bartolomei, bom amigo de Falcão, fruto das categorias de base e um dos líderes dentro de campo. Doces lembranças. O jogo do título foi contra o Genoa no estádio Marassi. O empate em um gol foi o suficiente para desencadear a festa amarelo e vermelha. Dino Viola, emocionado, diz que é o fim do pesadelo. Os centuriões romanos marcham novamente.

Por fim, ainda que sem ter provocado tamanho impacto, chegou o terceiro “scudetto” em 2001. Talvez motivada pelo título da co-irmã Lazio no ano anterior, a Roma realiza uma campanha irretocável. Fundamental a contratação de Batistuta junto à Fiorentina e o comando de Fabio Capello, um especialista em decisões e raposa velha dos gramados. Auxiliando o goleiro Antonioli , uma zaga bastante conhecida: Cafu e Antonio Carlos, Zago para os italianos, dividem a tarefa com o argentino Samuel e Zebina. Para fazer a bola rodar no meio campo a presença séria de Marcos Assunção foi vital, assim como a raça de Candela e Tommasi. Dos pés de Totti saíam as jogadas que resultaram nos gols de Batistuta, Del Vecchio e Montella. Aliás, além de capitão e maestro do time, Totti, “il pupone di Porta Metronia” é também famoso pelas suas gafes, tendo inclusive um livro de anedotas sobre ele. O dia D chega contra o Parma no estádio Olímpico, quando Totti, Montella e Batistuta castigam o guarda metas Buffon, dando assim, novamente motivos para uma alegre comemoração pelas ruas da cidade.

* Lúcio Humberto Saretta é escritor e mora em Caxias do Sul/RS  -  Email Mais artigos

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