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1971: Governo do Piauí manda o Santos de Pelé voltar para São Paulo
 
 
por Severino Filho (*) – Email: severinofilho@acessepiaui.com.br
O Santos de Pelé
Numa época em que o mundo inteiro se dobrava para ver o Santos de Pelé, o Piauí não foi diferente. Em plena caminhada para construção do Estádio Albertão, o governador Alberto Silva fechou um fabuloso contrato para ter o Santos em Teresina, com Pelé e companhia. O povo piauiense também tinha o direito de adorar o Rei do Futebol.

O jogo foi marcado para o dia 04 de novembro de 1971, no Estádio Lindolfo Monteiro. O adversário seria o Esporte Clube Flamengo, então bicampeão piauiense. Durante todo o mês de outubro e nos primeiros dias de novembro, o assunto no Piauí era presença certa em qualquer bate-papo. "Vamos ver Pelé". Dois dias antes do jogo, o aeroporto de Teresina é pequeno para tanta gente que foi ver o desembarque de Pelé e seus coadjuvantes.

A cada jogador que aparecia na escada do avião, aumentava a expectativa em torno do surgimento daquele que iria arrastar a multidão para o Lindolfo Monteiro na noite do dia 04. Inclusive porque todos os ingressos ja estavam vendidos. Até campeão do mundo desceu a escada, como Joel, Clodoaldo e Edu, que também fizeram parte da Seleção que ganhou a Copa um ano antes, no México, mas faltava ele.

No saguão do aeroporto, os dirigentes e o técnico justificaram a ausência: "Pelé ficou em tratamento médico, em São Paulo. Não pode vir". Ao saber da notícia, o governador Alberto Silva não teve nenhuma dúvida: "Não tem jogo. O contrato que fiz foi para o Piauí ver Pelé". Os dirigentes do time paulista ainda propuseram a redução da cota que o clube teria direito, mas o governador foi incisivo: "Sem Pelé não tem jogo".

E assim o Santos voltou para São Paulo sem jogar no Piauí. O time titular, à época, era o mesmo que ilustra a matéria, com Cejas, Orlando, Ramos Delgado, Marçal, Clodoaldo e Turcão (em pé); Jader, Dicá, Mazinho, Pelé e Edú (agachados). Tão logo o Santos deixou Teresina, Alberto Silva acertou a vinda do Cruzeiro, com Tostão, outro grande ídolo do futebol brasileiro à época. Um mês depois o Estádio Lindolfo Monteiro lotou para ver Tostão comandar a vitória do Cruzeiro sobre o River por 3 a 1.

Quanto a Pelé e Alberto Silva, os dois protagonistas daquele episódio (um pela ausência, o outro pela coragem de mandar o Santos voltar sem jogar), o destino colocaria os dois frente a frente, 16 anos depois, já no segundo governo de Alberto, quando o Rei veio ao Piauí para gravar imagens publcitárias do litoral brasileiro para a Embratur.
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(*) Severino Filho é colunista do Portal Acesse Piauí, faz a Coluna do Buim com informações históricas e atuais do futebol piauiense.
Página adicionada em 07 de outubro de 2009.
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