OS PRIMEIROS (20) ANOS DO FLUMINENSE


Tricolor Carioca   FLUMINENSE FOOTBALL CLUB
  Fundado em 21/Julho/1902
  Cidade: Rio de Janeiro, RJ


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1880 - Nasce, em 20 de janeiro, em uma chácara no Largo dos Leões, Oscar Alfredo Sebastião Cox, filho de George Emmanuel Cox, britânico nascido em Guayaquil, Equador, e da carioca Minervina Dutra Cox.

1901 - No dia 22 de setembro, três anos depois de sua chegada da Europa, Oscar Cox consegue reunir um grupo com amigos suficientes para formar um time e desafiar os ingleses sócios do Rio Cricket. Esse jogo histórico, o primeiro realizado no Estado do Rio de Janeiro, disputado em Niterói, no campo do Rio Cricket, terminou empatado em 1×1.

O time reunido por Oscar Cox jogou com a seguinte escalação: Clito Portella, Victor Etchegaray e Walter Schuback; Mário Frias, Oscar Cox e Max Naegeli; Horácio da Costa Santos, Eurico de Moraes, Louis Nóbrega, Júlio de Moraes e Félix Frias. Todos os 11 futuros sócios e jogadores do Fluminense. O gol foi marcado por Júlio de Moraes. As duas equipes voltaram a se enfrentar em 29 de setembro (com empate por 2×2) e 12 de outubro (novo empate, desta vez por 1×1).

Em 30 de novembro, Oscar Cox e seus companheiros se reúnem e tentam pela primeira vez fundar um clube de futebol no Rio de Janeiro, que se chamaria Rio Football Club. A tentativa fracassa por um desacordo entre os membros presentes. O sonho de Cox é adiado.

1902 - Em 21 de julho, Oscar Cox, Victor Etchegaray, Félix Frias e outros 17 jovens fundam o Fluminense Football Club no casarão de Horácio da Costa Santos, na Rua Marquês de Abrantes, nº 51. O nome do clube é alusivo a todos os nascidos no Estado do Rio de Janeiro. Cox é aclamado por unanimidade primeiro presidente do clube. Depois da reunião, todos se dirigem ao Bar Lamas, então localizado na Rua do Catete, onde é comemorada a data histórica.

Em 15 de agosto, quase um mês depois de fundado, o Fluminense faz sua estreia em uma competição esportiva, apresentando ao público sua primeira equipe de atletismo na série de provas atléticas promovidas pelo Rio Cricket em comemoração à coroação de Eduardo VII, rei da Inglaterra. Ao festejar a data, o Fluminense mostrava a influência britânica em suas origens.

Em 17 de outubro, são aprovados, em assembleia, os estatutos do clube, que a essa altura já contava com 55 sócios. Também é definido o uniforme: camisa com gola e botão metade branca, metade cinza. O escudo, no lado esquerdo do peito, também era metade branco e metade cinza, com o monograma FFC em vermelho. O calção era branco; as meias, pretas, e como complemento utilizava-se um boné branco e cinza com o escudo do clube.

Nessa mesma assembleia, é comunicado o aluguel de um terreno na Rua Guanabara (atual Pinheiro Machado), na esquina com a Rua do Roso (atual Coelho Neto), pertencente ao Banco da República. O valor é de 100 mil réis mensais. No terreno, de 80 metros de frente por 135 metros de lado, havia uma chácara que viria a ser a primeira sede do clube.

Em 19 de outubro, o Fluminense disputa contra o Rio Football Club, no campo do clube vizinho Paysandu, a primeira partida de futebol de sua história. Alinhado com dez de seus fundadores, entre os onze players, vence facilmente por 8×0 com gols de Horácio da Costa Santos (3), Heráclito Vasconcellos (2), Félix Frias, Eurico de Moraes e Adolpho Simonsen. Uma boa vingança sobre o time que lhe havia “roubado” o nome e que teve curta existência.

1903 - Em 11 de junho, o uniforme cinza e branco é utilizado pela primeira vez. Não foi um jogo oficial do Fluminense, mas um desafio entre brasileiros e ingleses no campo do Rio Cricket, em Niterói, e os jogadores brasileiros, todos sócios do Fluminense, usaram o uniforme do clube.

Em 6 de setembro, o Fluminense viaja a São Paulo, onde disputa, no Velódromo Paulista, os seus primeiros jogos interestaduais. Consegue resultados expressivos: duas vitórias e um empate, em três partidas realizadas contra as melhores equipes paulistas. Resultados dos jogos: 6 de setembro – Fluminense 0×0 Sport Club Internacional; 7 de setembro – Fluminense 2×1 Clube Atlético Paulistano; 8 de setembro – Fluminense 3×0 São Paulo Athletic.

1904 - Em 15 de julho, o Fluminense adota suas cores definitivas: verde, branca e grená. Em assembleia dos sócios, é lida uma carta de Oscar Cox e Mário Rocha, que se encontravam em Londres; na carta é relatado que o tecido na cor cinza não havia sido encontrado nas casas de artigos esportivos londrinas. Eles sugerem na carta a combinação tricolor, que, posta em votação, é aprovada por unanimidade. O novo uniforme, no entanto, só começaria a ser usado no ano seguinte.

Em 14 de agosto, é realizado o primeiro jogo oficial no campo das Laranjeiras. O Fluminense recebe o Paulistano e perde por 3×0. Para essa partida, na qual é registrada pela primeira vez no Rio de Janeiro a venda de ingressos, a diretoria mandou construir uma pequena arquibancada de madeira ao custo de 330 mil réis, a fim de acomodar o público. Exatas 996 pessoas pagaram ingresso, proporcionando uma renda de quase dois contos de réis, o que não foi suficiente para cobrir as despesas do jogo.

1906 - Em 3 de maio, Fluminense e Paysandu realizam, nas Laranjeiras, a partida de abertura do primeiro Campeonato Carioca de Futebol. O Fluminense não toma conhecimento do adversário e goleia por 7×1. Coube ao tricolor Horácio da Costa Santos a autoria do primeiro gol da história da competição. Horácio seria o artilheiro daquele campeonato com 19 gols.

Em 14 de outubro, o Fluminense vence o Rio Cricket por 4×1 e torna-se, com uma rodada de antecipação, o primeiro campeão carioca de futebol. Foram dez jogos disputados entre maio e outubro, com o Fluminense conquistando nove vitórias e apenas uma derrota. Entre os que conquistaram o título estavam, curiosamente, o presidente tricolor, Francis Walter, que jogou cinco partidas como goleiro, e o principal de seus fundadores, Oscar Cox, que disputou duas.

1907 - O Fluminense decide mudar seu uniforme de jogo pela segunda vez em sua curta existência. Para o campeonato deste ano, o time se apresenta com meias pretas, calção branco e camisa branca com faixa diagonal nas cores grená, branca e verde. O motivo alegado foi o de que com o uso repetido, a camisa tricolor tendia a se desbotar, descaracterizando assim as cores originais.

1908 - GOL DE GOLEIRO: Em 5 de julho, acontece o primeiro gol de goleiro que se tem notícia no Brasil. Mais uma primazia que, ainda que de forma inusitada, coube ao Fluminense. Foi na vitória de 11×0 sobre o Riachuelo, pelo Campeonato Carioca. O Fluminense já vencia por 10×0, quando o árbitro assinala um pênalti. Inconformados, talvez com a marcação da penalidade, talvez com o tamanho da goleada, os jogadores do Riachuelo resolvem se retirar de campo. O goleiro Waterman é então chamado a bater o pênalti, com a meta adversária vazia, e assinala o décimo primeiro gol do Fluminense na partida.

1911 - O PRIMEIRO TÉCNICO: De Londres, para onde havia se mudado em maio de 1910, Oscar Cox contrata para o Fluminense, por um ordenado mensal de 18 libras esterlinas (mais casa, comida e passagens de ida e volta), o inglês Charles Williams, o primeiro técnico de futebol do Brasil. Williams fora goleiro de times como Arsenal, Manchester City e Tottenham Hotspur, e técnico da seleção da Dinamarca, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908.

1912 - Em 7 de julho, é disputado o primeiro Fla-Flu. O Flamengo era o grande favorito, pois seu time era praticamente o mesmo que havia sido campeão invicto no ano anterior pelo Fluminense. Mas o Fluminense consegue uma vitória surpreendente e heroica por 3×2, com gols de Ed Calvert, James Calvert e Bartholomeu, que fez o gol da vitória nos instantes finais da partida. Era o prenúncio da máxima que a história provaria repetidas vezes, de que ninguém vence o Fla-Flu de véspera. Um clássico com uma mística única.

1914 - PÓ DE ARROZ: Setenta ex-sócios do América Futebol Clube ingressam no quadro social do Fluminense. Dentre eles, os irmãos Fábio, Luiz e Marcos Carneiro de Mendonça, e o atacante Carlos Alberto. No primeiro confronto entre os dois clubes, no dia 13 de maio, torcedores do América mordidos com a saída de seus jogadores, começam a provocar Carlos Alberto, chamando-o de “pó de arroz”. O jogador era um mulato que tinha por hábito, mesmo antes entrar no Fluminense, quando ainda jogava pelo time rubro, passar talco no rosto para esbranquiçá-lo.

A SELEÇÃO NASCEU AQUI: Em 21 de julho, o Fluminense dá mais uma mostra de sua relevância para o futebol nacional, tornando-se o berço da seleção brasileira. No dia em que o clube completava 12 anos, abre seu estádio para a seleção realizar o primeiro jogo de sua história, contra o Exeter City, time profissional inglês. O Brasil vence por 2×0, e o tricolor Oswaldo Gomes faz o primeiro gol. Além de Oswaldo Gomes, Marcos Carneiro de Mendonça também participa do jogo, tornando-se o primeiro goleiro da seleção brasileira.

1918 - Em 22 de maio, é iniciada a construção do estádio do Fluminense. O Brasil havia sido indicado para sediar o Campeonato Sul-Americano de seleções, mas não estava devidamente preparado para tal. Não havia estádios, nem estrutura. Em apuros, a Confederação Brasileira de Desportos, que não conseguira apoio do poder público, pede socorro ao Fluminense, que não se nega a cooperar. O clube assume um empréstimo bancário e inicia a construção do primeiro estádio do país. A totalidade desse empréstimo foi coberta pelos sócios do Fluminense, sem usar um tostão de recursos públicos.

1922 - Em 30 de setembro, morre tragicamente, aos 24 anos, o ponta-direita Emmanuel Coelho Netto, o Mano, tricampeão de 1917-18-19. Atingido violentamente em um jogo do Campeonato Carioca, quando o Fluminense enfrentava o São Cristóvão, o jogador padeceu por dias, vítima de uma hemorragia interna, até falecer na véspera do jogo entre Brasil e Uruguai, pelo Campeonato Sul-Americano. O estádio do Fluminense, que ficava em frente à casa da família Coelho Netto, amanheceu de luto. A seleção brasileira entrou em campo com braçadeiras negras em sua homenagem, e empatou o jogo em 0×0.

O longo sofrimento de Mano foi relatado por seu pai, o escritor Coelho Netto, no livro Mano, publicado em 1924. Um pesaroso registro da tragédia que se abateu sobre uma família tão intimamente ligada ao clube. Além de Mano, seus irmãos Paulo, Georges e João (o Preguinho) foram atletas do clube. Paulo foi ainda um dos mais minuciosos historiadores do clube, sendo autor do livro História do Fluminense, verdadeira bíblia tricolor que esmiúça em dois volumes a trajetória tricolor no período de 1902 a 1968.



Fonte: www.fluminense.com.br; com colaboração de Alexandre Magno Barreto Berwanger.
Página adicionada em 10/Julho/2014.

 




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