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Testamento do Estádio Machadão

(Para a torcida Potiguar deixo as minhas memórias)

Nestes meus últimos instantes de vida.
Enquanto espero a minha demolição.
Despeço-me hoje da torcida Potiguar.
Com meu testamento cheio de emoção
Para que todos conheçam a minha história.
Guardem com saudade dentro do coração.
Peço que contem aos novos torcedores.
Para que saibam quem foi o MACHADÃO.

Estádio Humberto de Alencar Castelo Branco
O “CASTELÃO” da brava torcida potiguar.
De “POEMA DE CONCRETO ARMADO”.
Governador Cortez Pereira passou a me chamar.
Pelas formas de ondas da minha arquitetura.
Que o Arquiteto Dr. Moacir Gomes projetou.
Junto com o Calculista Doutor José Pereira.
A torcida Potiguar e brasileira me mostrou.

Fui palco de muitos jogos e muitas glórias.
Começando no dias de minha inauguração.
Na preliminar, ABC um, AMÉRICA zero.
Com muita rivalidade, no clássico da emoção.
Seleção Olímpica Brasileira e Vasco da Gama.
Num zero a zero fecharam minha inauguração.
Atletas renomados pisaram na minha grama.
As marcas de suas chuteiras estão no meu chão.

Em mil novecentos e oitenta e nove fui chamado
De Estádio João Claudio de Vasconcelos Machado.
Passei a fazer parte de suas tardes de emoção.
Pelos Potiguares, de Estádio Machadão, Apelidado.
Fui construído para quarenta e dois mil torcedores.
Para vinte e três mil torcedores eu fui reduzido.
Hoje ao completar meus trinta e nove anos de vida.
Sou vítima de um crime hediondo, serei destruído.

Mas tenho certeza, na saudade, viverei eternamente.
A ARENA DAS DUNAS não tomará o meu lugar.
A minha história, minha gloria, eu sei, permanecerá.
Guardada no coração de cada torcedor Potiguar.
A COPA EM NATAL não destruirá a minha história.
Apenas o meu Corpo Físico de Concreto, vão destruir.
Meu corpo espiritual, para sempre vai esta, presente.
Na saudade dos torcedores de hoje e dos que hão de vir.

Cinqüenta e três mil trezentas e vinte pessoas.
Em minhas arquibancadas foi o público oficial.
ABC zero versos SANTOS dois, pelo Brasileiro.
Publico considerado recorde foi sensacional.
Mais acredito que foi em setenta e seis o recorde.
ABC três versos America zero, teve gente de mais.
Chegando aos cinqüenta e quatro mil torcedores.
Numa festa memorável, que não acontecerá jamais.

Estas são as minhas memórias e o meu testamento.
Na saudade de craques como o Souza serei lembrado.
Por Marinho Chagas, Danilo Menezes e Alberi,
Pelos atletas que jogaram em meu gramado.
Sejam do Alecrim, do América ou mesmo do ABC
Das escolinhas de futebol, dos jogos amadores.
De todos que passaram em minhas arquibancadas.
Agradeço hoje aos meus milhões de torcedores.

Que sei, infelizmente nada mais poderão fazer.
Já que a cruel sentença logo vai ser executada
Peço não me esqueçam, guardem-me para sempre.
Que eu seja uma saudade gostosa de ser lembrada.
Quantos amores, quantos romances eu vi nascer.
Surgidos sentados nas minhas arquibancadas.
De todo o meu coração, agradeço as suas lembranças.
Que minhas memórias por vocês, sejam contadas.


Autor: Poeta Cypriano Maribondo
Email: cmgtpoeta@yahoo.com.br
Página adicionada em 15/Junho/2011.

 

 

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