TETÉ, O MARECHAL DAS VITÓRIAS



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Matéria publicada em "A Gazeta Esportiva Ilustrada" - com texto de José Ney

Teté, o Marechal das VitóriasUm Símbolo

O capitão José Francisco Duarte Júnior, o velho Teté, ainda hoje é lembrado pelos que acompanham o futebol no sul do país. Era o imbatível "Marechal das Vitórias".

Não são apenas os craques de futebol que se imortalizam como "ÍDOLOS DE ONTEM".

A Gazeta Esportiva Ilustrada, que até então, focalizava somente rápidos perfis biográficos de jogadores que marcaram época, a partir do final de 1964, passou a desviar um pouco de sua rota e adentrou outros caminhos. Ìdolos de Ontem foi uma denominação de uma série de matérias do Jornalista de José Ney.

Confira abaixo o texto:

Ìdolos de Ontem vai contar hoje alguma coisa a respeito de um verdadeiro ídolo, alguém que, não obstante o passar dos dias, ainda permanece vivo na retina dos que fazem do futebol o seu cardápio de todos os instantes. E, mais particularmente, para os que, apaixonados ou não pelo esporte, tiveram suas tendências sempre voltadas para o Internacional de Porto Alegre. Falaremos, com saudades, de Tetê.

Pelotas, o berço

A carreira de José Francisco Duarte Júnior, como atleta, foi iniciada no Ideal FC, de Pelotas. Posteriormente, em 1929, já em Rio Grande, alcançou o título máximo, defendendo as cores do EC Rio Grande.

Um ano depois seguindo-se até 1933, Tetê esteve no Rio de Janeiro cursando a Escola Militar. No seu regresso recebeu e aceitou um convite do Guarani de Bagé, estreando como preparador técnico. Foi campeão pelo clube bageense em 1935.

De volta ao berço

Em 1938 a saudade bateu e Teté voltou para a sua "Princesa do Sul". Farroupilha foi o seu objetivo. Dois anos depois, em 1940, passou-se para o GE Brasil, permanecendo até 1943. Retornou ao Farroupilha em 1944-45 e levantou mais um campeonato. O pingue-pongue continuou e, em 1946, após insistentes pedidos, retornou ao GE Brasil, sagrando-se campeão. Teté tinha algo de muito comum com os títulos de campeão - sempre os abiscoitava.

Em Porto Alegre

O Cruzeiro de Porto Alegre atraído pela enorme e justificada fama que aureolava o técnico interiorano foi buscá-lo em 1947. Nos estrelados, o capitão Duarte Jr. não permaneceu muito tempo e, ainda em 1947, a convite do Nacional AC, passou a treinar suas equipes.

No ferrinho ficou até meados de 1951, quando o Internacional, necessitando de um orientador, foi buscá-lo.

No Internacional

Nos rubros, Teté conheceu suas maiores glórias. Em 1951, 1952, 1953 e 1955, colaborou decisivamente para que o "Clube do Povo" recebesse as faixas de campeão, tendo em 1954, num verdadeiro caso "sul-gêneres (título ficou de posse do Renner, já extinto), alcançando o vice-campeonato.

Pan-Americano brilhante

Surgiu 1956 e com ele o ano de ouro de Tetê. Orientou a equipe do Rio Grande do Sul, que em campos aztecas por ordem expressa da Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF), representou o Brasil no certame pan-americano. Os craques gaúchos realizaram excelente campanha; e fruto disso e do labor consciente de Teté, trouxeram mais este galardão máximo: bi-campeão pan-americano de futebol.

Do Inter para o Zéquinha

O São José, depois de breve paralisação do "coach" pelotense, contou com seu concurso. Corria o ano de 1958. Armou uma equipe poderosa revelando um punhado de craques de primeira linha. Silveira, Osmar e Louro, que depois vieram a envergar a jaqueta vermelha, para citarmos alguns, formaram a extrema defesa do Zéquinha.

De nôvo nos rubros

Junto com esses craques, Teté sempre inteligente, voltou para os Eucaliptos. Esse seu retorno, contudo, por muitas razões, não foi muito aplaudido e o velho técnico, sem maiores formalidades, em outubro de 1960, deixou a rua Silvério, recolhendo-se para sua vida pacata.

Muitos clubes diligenciaram para contar com seu concurso, porém o "Marechal das Vitórias", o homem que havia dado tantas alegrias no campo esportivo a tudo recusou, voltando para o futebol de casa já com o advento maravilhoso da televisão. O internacional contudo continuou morando no seu coração, já combalido, enfêrmo, pela caminhada árdua da consagração.

A morte

E quiz o destino que, 24 horas depois da seleção nacional se graduar no Chile, com o bi-mundial, o capitão José Francisco Duarte Junior, o seu "Teté", abandonasse o seu lugarzinho cá na terra, há alguns metros do Internacional, há um palmo dos Eucaliptos, onde da sacada de seu apartamento, apreciava o vai e vém do povo e os gritos alucinantes da torcida que o enaltecera anos antes.

Um fato

Na época de sua justificativa popularidade, Teté certa feita foi aquinhoado com excelente proposta do Peñarol, de Montevidéu, que a todo custo desejava vê-lo em suas fileiras.

O inter com Teté à frente havia exibido seu primoroso futebol no Estádio Centenário. - os uruguaios ficaram doidos - Mas o velho Capitão, simples e despreocupado, voltou com o seu Internacional, com o clube de seu coração, desprezando algumas dezenas de milhares de cruzeiros.

Sua família, que aqui deveria permanecer, e a outra família, aquela de centena de milhares de simpatizantes (a dos rubros) obrigaram Teté, que nunca fizera grandes exigências, a permanecer firme no seu Rio Grande, na terra que honrava com seu trabalho equilibrado, operoso e muito eficiente.

Rio Grande chorou

O Rio Grande chorou a morte de Teté. Reverencia, ainda hoje, a figura de um homem simples, cigarro na boca e cafezinho para todos que o visitassem, num apartamento da rua Barão de Guaíba.

Colorados e gremistas, cruzeirenses e zéquinhas, enfim, todos os que realmente apreciam o esporte pelo esporte, estão unânimes em reconhecimento ao grande homem do esporte, ao grande condutor de equipes, ao grande conquistador de títulos, que hoje, por tudo que fez, pelo seu enorme acervo de glórias, patrimônio para o futebol dos pampas, adentra com fronte erguida nesta série de autênticos ídolos.


Pesquisas realizadas por Sidney Barbosa da Silva.
Fonte: "A Gazeta Esportiva Ilustrada" de DEZ/1964, com texto de José Ney.
Página adicionada em 06 de outubro de 2009.

 

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