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O uso de estatísticas no futebol



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O uso de estatísticas no futebol
“Era da Informação” é um apelido para lá de justo para o período histórico no qual vivemos. Somos bombardeados por tantos dados diariamente que jamais daríamos conta de assimilar todo o conteúdo que recebemos a cada período de 24 horas.

Não por acaso, a Era da Informação é refletida no entretenimento. Vemos-nos cada vez mais destrinchando números, dados e chegamos às famigeradas estatísticas. Seja nos esportes americanos, como futebol americano e basquete (que deitam e rolam em estatísticas), nos e-sports, que crescem em popularidade diariamente; em esportes profissionais de aspecto mental, como xadrez ou pôquer, ou até mesmo jogos casuais como Magic The Gathering, o uso de estatísticas é uma ferramenta poderosíssima para jogadores, técnicos, times e todos que trabalham com esportes e jogos: ela nos ajuda a enxergar com mais profundidade os aspectos táticos, mentais, além de nos fazer enxergar mais profundamente. Tudo o que pode ser medido pode ser melhorado.

Há quem questione o uso delas no futebol – pela sua característica fluidez. Na bola redonda, o uso de estatísticas carrega um peso menor do que em esportes mais cadenciados, como futebol americano. Pois bem, há algumas considerações gerais acerca do uso de gráficos e números no esporte que precisam ser mencionadas.

Em primeiro lugar, qualquer estatística precisa de contexto. Seja em política, seja em esporte. Eu não posso simplesmente virar e falar que jogador X acerta mais passes que jogador Y; não sem mencionar que X é um zagueiro que recua a bola para o goleiro calmamente todo jogo e que Y é um meio-campo responsável pelo último passe. É natural que um acerte mais passes que o outro pela simples natureza e função em campo.

Além disso, é fácil se perder em estatísticas que não dizem nada sobre um jogador. Estamos cansados de ver a estatística “defesas difíceis” em transmissões televisivas, mas elas são apenas vazias. O que quer dizer defesa difícil? Qual o grau de objetividade dessa avaliação? E, mais importante do que tudo, como ela pode nos ajudar a entender melhor o jogo?

A bem da verdade, “defesas difíceis” são apenas um floreio que se passa por um dado relevante. As estatísticas no futebol - e em qualquer esporte - para terem algum valor, precisam estar inseridas dentro de um contexto, e precisam servir de alguma forma a compreender mais sobre o jogo.

Para citar um exemplo, no livro “A Numbers Game”, de David Sally, o autor menciona que chegaram ao número de que um a cada sete chutes ao gol, em média, viram gols. Parece interessante, não? De fato o é, mas em nada nos ajuda a prever ou nos preparar para o futuro. Tudo bem, um a cada sete chutes; mas não sabemos jamais qual dos sete chutes, assim como não necessariamente esses números se repetirão com frequência. É uma estatística divertida, mas pouco útil.

Dando um exemplo mais concreto, um dado que é bastante interessante no planejamento tático de uma equipe são os mapas de calor. Eles indicam, como devem saber, qual faixa do campo determinado jogador opera com mais frequência. Isso faz com que analistas compreendam a função do jogador com mais especificidade; em vez de ser “segundo volante”, sabemos em que partes do campo aquele jogador tem maior participação.

Da mesma forma, dados que mostram os passes do jogador - curtos, médios ou longos - ajudam a compreender o impacto que um determinado atleta pode ter em determinadas faixas do campo. Esse tipo de informação, devidamente compilada, dá alguma vantagem para os que planejam a abordagem tática de uma equipe.

O importante para observarmos, sempre, é a pertinência de um dado apresentado como estatístico. Temos a tendência natural de medir o que nos cerca, e é perfeitamente possível que deixemos passar, no nosso fascínio pela métrica, alguns detalhes contextuais fundamentais para entender de que forma determinados números puderam acontecer. Sem um contexto, uma estatística é um número vazio - e isso é verdade em qualquer esporte. Um número pode ser apenas um número se não enxergarmos uma aplicabilidade ou natureza ao qual ele está necessariamente atrelado.


Sidney Barbosa da Silvapor Sidney Barbosa da Silva.
Página adicionada 06/Setembro/2017.

 

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