A CBF SEM DINHEIRO E SEM PATROCÍNIO
Octavio Pinto Guimarães Presidente da CBF em 1987Em 07 de julho de 1987, o presidente da CBF, Octávio Pinto Guimarães (foto), divulgava que a Confederação Brasileira de Futebol estava sem condições financeiras para realizar o Campeonato Brasileiro, e não teria como custear a competição, já que eram necessários, no mínimo, 100 milhões de cruzados para cobrir as despesas dos clubes com transporte e hospedagem. Por isso acreditava que uma das alternativas seria a participação de clubes que pudessem financiar seus próprios gastos. Outra solução apontada por Octávio seria regionalizar o certame, a fim de economizar.

Neste sentido, e prevendo prejuízos, os principais times do país decidiram criar a União dos Grandes Clubes Brasileiros, que logo foi batizada de Grupo dos 13 (ver História do Clube dos 13, em 11 de julho de 1987, e realizar a competição em duas categorias, com acesso e descenso.

PATROCÍNIOS
A princípio tudo correu bem, com patrocínios inéditos no futebol brasileiro. A Varig e os hotéis Othon fecharam contrato de exclusividade para transporte aéreo e hospedagem. A Rede Globo de Televisão desembolsou cerca de 3,4 milhões de dólares - cerca de 170 milhões de cruzados - num contrato de cinco anos, renovado anualmente, para transmitir três jogos por rodada, inclusive com exibição para a cidade onde ocorreria o duelo, ao vivo para todo Brasil.

A Copa União seria disputada, inicialmente, pelos 13 integrantes do Clube dos 13, mas a revolta tomou conta dos clubes excluídos que se organizaram para fazer parte desta competição, já que, por critério técnico conquistaram a vaga em 1986: Guarani de Campinas (Vice campeão), América-RJ (4° colocado), Portuguesa de Desportos (10°), Inter de Limeira (16°), entre outros grandes em seus estados. Para tentar esvaziar o time dos descontentes, o Clube dos 13 convidou o Goiás, Santa Cruz e Coritiba, deixando de fora o Guarani, América-RJ e Internacional de Limeira.

Mas antes da competição se iniciar com número reduzido de participantes a CBF propôs que a competição tivesse quatro módulos (Verde, Amarelo, Branco e Azul), com cruzamento entre seus participantes, para se definir o campeão.

Em 25 de julho de 1987, um mês e meio antes do inicio da Copa União, a Federação Paulista de Futebol apresentou uma proposta que previa o cruzamento em dois quadrangulares, disputados entre os quatro primeiros colocados do Módulo verde, os três primeiros do Módulo Amarelo e o campeão dos Módulos Azul e Branco. A proposta foi aceita pelo Clube dos 13, segundo disse à época o presidente Carlos Miguel Aidar.

BOICOTES
Na segunda quinzena de julho de 1987, Vitória-BA, Coritiba e Portuguesa de Desportos ingressaram com medidas cautelares na Justiça Comum contra a realização da Copa União, organizada pelo Clube dos 13. A Federação Piauiense propôs um curioso boicote: não convidar nenhum dos treze clubes para amistosos em sua região. E os sindicatos dos Atletas Profissionais e dos Treinadores manifestaram seu protesto junto a CBF.

Acuada, a entidade declarou ilegal o movimento dos clubes grandes. Sugeriu ainda que doze deles - excluído o Bahia - entrassem na segunda fase da competição, que teria ainda mais oito equipes mais bem colocadas numa eliminatória de 48 clubes. A verdade é que as pressões contra o movimento do Clube dos 13 eram apenas políticas e funcionavam apenas nos bastidores. E de nada adiantavam os boicotes e ações na justiça.

A DISPUTA OFICIAL
A Copa União quase não sai. Entre o fim de agosto e inicio de setembro de 1987 foi permeada por reuniões, impasses, vozes radicais e conciliatórias. Em 10 de setembro de 1987, uma quinta-feira, uma reunião no eixo CBF-Copacabana Palace - Gávea, no Rio de Janeiro, definiu os rumos da competição. Octávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid, presidente e vice da CBF perderam a parada. A última controvérsia para a realização do campeonato foi resolvida já na madrugada da sexta-feira, na decisão de que o dinheiro virá da Rede Globo pela transmissão exclusiva do evento e toda parte do marketing da competição serão gerenciados pelos clubes.

Os presidentes das federações paulista, carioca, baiana, mineira e gaúcha incubiram-se, na quinta-feira, da grande batalha de aparar arestas que pareciam colossais. Eles se reuniram na suite 351 do Copacabana Palace Hotel, de onde a solução saiu rascunhada em duas folhas de papel.

O tal documento, basicamente, dizia o seguinte: o campeonato brasileiro terá quatro módulos - verde, amarelo, azul e branco - com dezesseis clubes cada um. No módulo verde ficariam os treze clubes da União dos Grandes, mais Coritiba, Santa Cruz e Goiás. Campeão e vice desse grupo jogarão contra o primeiro e segundo colocados do módulo amarelo, no inicio do ano que vem, para se apontar os dois representantes do Brasil na Taça Libertadores da América.
NOTA CAMPEÕES: Nunca houve o cruzamento pois Flamengo e Internacional se recusaram a fazê-lo.

OS MÓDULOS
Por fim tudo que foi acordado antes, foi mudando com o inicio dos módulos, o Azul e Branco passaram a contar com 24 clubes, oito a mais do acordado, ficando da seguinte forma:
• Verde: Copa União, Taça João Havelange, com 16 participantes - Campeão: Flamengo.
• Amarelo: Taça Roberto Gomes Pedrosa, com 16 participantes - Campeão: Sport
• Azul: Taça Heleno Nunes, com 24 participantes - Campeão: Americano de Campos/RJ
• Branco: Taça Rubens Moreira, com 24 participantes - Campeão: Operário de Campo Grande/MS

Os módulos foram disputados: o Flamengo conquistou o Verde na final contra o Inter. Foi então que surgiu a grande polêmica, pois segundo a CBF os dois clubes teriam que se juntar a Sport e Guarani, que se classificaram no Amarelo, para disputar um quadrangular, em turno e returno. Flamengo e Internacional se recusaram a disputar porque, segundo eles, o regulamento foi alterado à revelia do Clube dos 13.

Sport e Guarani venceram os jogos contra Fla e Inter por W.O. e fizeram a final, vencida pelo Sport. A CBF declarou o time pernambucano campeão brasileiro daquele ano, o que permanece até os dias de hoje. Mas como Flamengo e Inter tiveram suporte do Clube dos 13, presidido pelo então presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, os rubro-negros gritam desde então que são pentacampeões brasileiros.

Em relação aos Módulos Azul e Branco, os melhores colocados formariam uma divisão nacional em 1988, o que jamais ocorreu pois os critérios para o campeonato brasileiro de 1988 jamais foram aplicadas, e nenhum dos campeões foi reconhecidos como tal. ver História do Clube dos 13.


Pesquisas de Sidney Barbosa da Silva.
Fontes: Guia politicamente incorreto do futebol, de Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior; Confederação Brasileira de Futebol; Revista Placar pg. 10, de 20 de julho de 1987; pg. 13, de 27 de julho de 1987; pg. 20 e 21, de 14 de setembro de 1987; e Arquivo www.campeoesdofutebol.com.br
Página adicionada em 12/Dezembro/2018.

Shopping Campeões do Futebol